Q |
uando o carro já estava a quilômetros e quilômetros de distância da lanchonete, os bandidos sentiram algo como que uma gigantesca sombra passando por cima do carro, enquanto as crianças continuavam a gritar e espernear.
- Que nuvem negra será essa? – Perguntou um dos criminosos. – Será que vai chover?
- Deve ser um avião passando! – Disse o outro.
Mas qual não foi a surpresa deles, quando viram duas figuras colossais sobrevoarem por cima do carro, ultrapassando-os e aterrissando em plena estrada e na frente do carro com as mãos na cintura, em trajes de super-heróis. Um deles tinha formato de mandioca e cabelos coloridos, enquanto o outro era um enorme ursão de pelúcia.
Aldebarã reconheceu-os:
- É o Isidoro e o Douglas.
Os bandidos quase fizeram xixi nas calças de tanto medo quando deparam com os dois grandalhões. Pararam o carro e começaram a tremer. Os super-heróis andaram com passos duros em direção ao carro. Eram passos de estremecer toda a estrada.
Chegando à frente do carro, deram um soco no pára-brisa, quebrando-o e pegando os dois bandidos pelo colarinho rodopiando-os ao ar com uma mão só e jogando-os a uma distância a perder de vista. Os outros dois que estavam com as crianças no banco de trás, largaram-nas e tentaram fugir. Mas os super-heróis esticaram o braço de tal forma que conseguiu pegá-los e encostando a cara deles nas suas, disseram ao mesmo tempo em vozes assustadoras:
- Vocês vão arrancar o órgão da vovozinha de vocês e vender para o exterior!
E deu um soco cada um em um bandido, que eles também foram parar num lugar que ninguém sabe aonde.
Sãs e salvas, as crianças saíram do carro e começaram a pular de alegria.
- Quem são vocês? – Perguntou Ângela aos misteriosos heróis.
- Eu sou o Super-Mandiocão.
- E eu sou o Mega-Ursão.
- Que Super-Mandiocão e Mega-Ursão nada. – Disse Aldebarã. – Vocês são o Isidoro e o Douglas.
- Vamos parar de papo-furado. – Disse o Super-Mandiocão. – Porque temos que levá-los de volta à lanchonete antes que os outros dêem falta de vocês.
Depois pegou Aldebarã com um braço e Ângela com outro, enquanto Mega-Ursão pegava Ivinho e os dois levantaram vôo no espaço.
Nos ares, as crianças gritavam dessa vez de alegria e empolgação, vendo carros, caminhões e ônibus passando na estrada como se fossem formiguinhas. Elas não se agüentavam de contentamento de lá de cima. Protegidos pelos braços daqueles estranhos super-heróis, elas se sentiam verdadeiros deuses.
Chegando à lanchonete, Super-Mandiocão e Mega-Ursão aterrissaram com as crianças no jardim. Em terra firme, Aldebarã, Ângela e Ivinho entraram correndo na lanchonete para contar a grande aventura pelo qual passaram. Sebastião, Norma, padre Adonai, Serafim, Margarida e Nelson continuavam entretidos conversando e não faziam a menor idéia do grande perigo que as crianças haviam passado.
Ângela chegou correndo na frente e foi logo até Norma vomitando as palavras num fôlego só:
- Mãe, pai vocês não sabem o que aconteceu com a gente! Quatro palhaços pegaram eu, o Aldebarã e o Ivinho; jogaram a gente dentro do carro e seqüestraram a gente. Só que o Isidoro e o Douglas se transformaram no Super-Mandiocão e no Mega-Ursão e bateu nos palhaços, salvou a gente e trouxe a gente pra cá voando.
Ninguém acreditou.
- Filhinha. – Disse Norma. – Como eles puderam ter feito isso se eles só são apenas dois bonecos?
Aldebarã interveio:
- É tudo verdade! Os palhaços eram bandidos e iam nos levar para o esconderijo deles para arrancar nossos olhos, rins, fígados e corações e vender para o exterior. Só que o Isidoro e o Douglas se transformaram em dois super-heróis, nos salvaram das garras deles e nos trouxeram voando de volta para cá. Eles estão lá fora no jardim. Vem ver.
Todos se levantaram e foram para o jardim se certificarem do acontecido. Mas chegando lá, para desapontamento das crianças, o que viram foi o bonequinho de mandioca do Aldebarã e o ursinho de pelúcia de Ângela jogados no jardim como sempre foram: inanimados, pequenos e mudos.
- Essas crianças têm uma imaginação tão fértil! – Disse Norma sorrindo.
Aldebarã e Ângela se irritaram. Recomeçaram a contar toda a história timtim por timtim e a perguntarem a Ivinho se era verdade ou não a cada detalhe. Ivinho como não podia falar, só mexia com a cabeça que sim. E tanto teve que acenar com a cabeça que sim várias vezes que o coitado acabou ficando com dor de cabeça.
Cansado daquela discussão, Sebastião fingiu que todos acreditavam na história contada e decidiu pagar a conta para irem embora, pois a tarde já havia caído.
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