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segunda-feira, 18 de abril de 2011

Curupira e o bando de tamanduás-bandeiras

D
evido às circunstâncias, todos os outros já acreditavam que o seqüestro sofrido pelas crianças tinha sido real; e sem esperanças de salvação, Sebastião e Norma pediram perdão a Ângela por não terem acreditado na filha. O único que mantinha a esperança era padre Adonai que rezava fervorosamente.

As formigas já estavam com água na boca. A rainha deu o grito de ordem:

- Atenção! Preparar, avançar e é...

Não pôde continuar, pois uma espécie de aspirador de pele e pêlos sugou a rainha assim como centenas de formigas ao mesmo tempo.

- É o curupira e um bando de tamanduás-bandeiras! – Gritou uma das formigas desesperada.

Foi uma debandada só. As formigas corriam de um lado para o outro, pisoteando umas às outras, preocupadas cada uma em salvar sua própria pele, enquanto um grupo de sete tamanduás-bandeiras invadia o formigueiro e dava cabo das milhares de formigas antropófagas ao mesmo tempo. Em poucos minutos, já não havia mais nem sombra de nenhuma formiga saúva no recinto, pois as que sobreviveram, pois as que sobreviveram às sugadas dos tamanduás já estavam a léguas de distância.

Depois da fuga das formigas, um porco do mato entrou no formigueiro. Nada de tão anormal assim se esse porco do mato não carregasse em sua carcaça um moleque de cabelos avermelhados, desgrenhados, as orelhas enormes e pontiagudas e o corpo coberto de pêlos verdes. Os prisioneiros olharam para os pés do moleque e ficaram estarrecidos ao verem que ele tinha os calcanhares para frente e os pés para trás. Não havia a menor sombra de dúvida. Era ele; o lendário Curupira.

O ser folclórico apeou do porco do mato e tratou de desamarrá-los, perguntando:

- Quem são vocês e o que fazem aqui?

Todos se apresentaram e explicaram tudo que havia acontecido e que estavam indo para São José da Poeira em Pé.

Curupira pegou ervas do mato e passou por cima das feridas de picadas das formigas que eles tinham na pele, sarando-os. Fez o mesmo com o leão Serafim que voltou a enxergar e deu urros e mais urros de alegria ao notar que estava novinho em folha.

- Esta parte da estrada é muito perigosa – aconselhou o moleque verde – vocês têm muita sorte de não ser noite de lobisomem, senão estariam todos fritos. Agora tratem de seguir o caminho de vocês que eu vou atrás acobertando de qualquer perigo.

Todos voltaram para seus carros - cujos pneus que tinham sido furados, já tinham sido misteriosamente trocados - ligaram o motor e seguiram em frente em carreata, um atrás do outro com Curupira por ultimo a protegê-los.

Meia hora depois conseguiram sair da floresta negra que rodeava a estrada, podendo voltar a serem iluminados pela luz da lua e das estrelas. E dentro de poucos minutos, já podiam avistar entre as luzes elétricas uma linda igreja toda branca tendo a sua frente uma enorme praça com parque, jardim, árvores, coreto. Tudo isso entre singelas casas e modestos comércios. Na frente de tudo isso um imenso portal, sustentado por quatro colunas e escrito em sua suntuosa abóbada em letras triunfalmente garrafais: “sejam bem-vindos a São José da Poeira em Pé”.

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